Foto: Rodinei Santos / Departamento de Imprensa da Prefeitura de Pato Branco. Fonte: Acervo de Fotos do Município.
Para que este estudo serve
Pato Branco não deve ser tratado como um modelo pronto para copiar. O valor deste caso está em mostrar como formação, articulação institucional, ambientes de inovação, continuidade de políticas e capacidade de reorganização foram se acumulando ao longo do tempo.
Para um gestor municipal, a pergunta mais útil não é “como repetir Pato Branco?”, mas “quais condições, decisões e relações desse processo podem ser adaptadas à realidade da minha cidade?”.
A pergunta central continua sendo como capacidades locais de inovação se formaram, mudaram e atravessaram interrupções. A infraestrutura do Parque veio depois de iniciativas de formação, incubação e articulação. Os registros documentam marcos e rupturas, mas não autorizam atribuir, isoladamente, resultados econômicos municipais a essas iniciativas.
O que Pato Branco ensina a um gestor municipal
Os pontos abaixo são uma aplicação didática derivada do caso, apoiada na cronologia e nos limites descritos adiante. Não são uma avaliação causal nem uma receita de implantação.
Começar pelas capacidades locais
Formação, iniciativas e articulação antecederam a inauguração do Parque. Entenda o que já existe antes de escolher uma obra ou equipamento.
Conectar formação e economia local
O estudo registra relações entre formação tecnológica e negócios, sem afirmar que essa experiência represente todas as empresas ou prove causalidade.
Articular instituições
Ensino, empresas, incubação e poder público aparecem em diferentes momentos. Uma organização isolada não resume o ecossistema.
Planejar continuidade e reorganização
A trajetória inclui abalo, descontinuidade e novos instrumentos. Governança e continuidade merecem atenção desde o desenho da iniciativa.
Tratar infraestrutura como uma camada
O Parque foi inaugurado em 2016, depois de outros marcos documentados. A ordem no tempo não prova que um tenha causado o outro.
O que este caso não autoriza concluir
Este alerta trata dos limites de replicação e de interpretação. Ele não desqualifica a trajetória de Pato Branco.
Trajetória: formação, ruptura e novos instrumentos
A cronologia ajuda a localizar marcos e descontinuidades. Ela não descreve uma sequência obrigatória nem uma cadeia causal comprovada.

Três retratos da trajetória
Construção de capacidades
Formação tecnológica, empresas e iniciativas de articulação aparecem antes do Parque.
Interrupções e reorganizações
O IPARDES documenta abalo no projeto Tecnópole após 2000 e mudanças em iniciativas relacionadas.
Novos instrumentos
Conselho, Parque e política municipal de CT&I aparecem em momentos e funções distintos.
São retratos para organizar a leitura, não etapas inevitáveis de desenvolvimento. As datas e ressalvas permanecem na linha do tempo, no texto e nas fontes.
O parque não foi o começo
Antes de 2016, já havia formação tecnológica, empresas, iniciativas de incubação, articulação institucional, experiências de empreendedorismo e estruturas tecnológicas anteriores. Em 2016, foi inaugurado o Parque Tecnológico. Esta ordem é cronológica e documental; não afirma que uma iniciativa tenha causado ou levado inevitavelmente à outra.
O estudo do IPARDES sobre o APL de software do Sudoeste do Paraná identifica em 1986 a criação, na FUNESP, do curso de Tecnologia em Processamento de Dados. A história do Campus Pato Branco da UTFPR documenta negociações para instalar o CEFET-PR a partir de 1987, obras iniciadas em 1989, autorização em 1992 e início das aulas em 1993. São marcos diferentes de uma mesma construção de capacidade educacional.
Foto documental: formação tecnológica

O Projeto Pato Branco Tecnópole começou em 1996 e foi implantado como estratégia de desenvolvimento municipal a partir de 1997. O IPARDES descreve três iniciativas relacionadas, mas distintas: o Centro Tecnológico e Industrial do Sudoeste do Paraná, ou CETIS, um condomínio industrial e tecnológico; o Hotel Tecnológico, voltado a estudantes empreendedores; e o Centro SOFTEX Gênesis, de apoio a novos negócios de software. O CETIS não era o Parque Tecnológico inaugurado em 2016.
Linha do tempo visual: a formação (1986; processo do CEFET-PR entre 1987 e 1993), os marcos distintos da Tecnópole (1996 e estratégia municipal a partir de 1997), a interrupção pós-2000, as novas articulações e os instrumentos posteriores aparecem em períodos separados. As estruturas do projeto aparecem sem data individual quando as fontes consultadas não permitem atribuí-la com segurança. Veja a timeline documental.
Naquele momento, infraestrutura física e articulação se apoiavam em instituições de ensino, empresas, incubação e projetos. O relatório de 2006 registra que parte dos fundadores das empresas entrevistadas havia estudado no CEFET. Também informa que algumas empresas pioneiras já existiam antes do projeto Tecnópole. A relação entre ensino e negócios é uma pista histórica importante, mas não representa a experiência de todas as empresas nem uma avaliação causal.
Quando o projeto perdeu força
A história fica incompleta se saltar diretamente da Tecnópole ao Parque. Em 2006, o IPARDES relatou que o Projeto Pato Branco Tecnópole sofreu um grande abalo depois do encerramento da gestão municipal de 1997 a 2000. O estudo associou esse abalo à elevada politização do projeto. Registrou também o fim do apoio nacional do SOFTEX ao Gênesis e a reestruturação dessa atividade na região.
O relatório descreveu obstáculos que ajudam a entender a fragilidade daquele arranjo: dificuldade de financiamento, burocracia, necessidades de capacitação técnica e empresarial, capacidade limitada de comercialização e relações de cooperação ainda incompletas. Algumas iniciativas previstas, como uma agência de desenvolvimento local, perderam força em favor de uma visão regional. O estudo também apontou salários inferiores aos de centros maiores e saída de profissionais.
Ruptura e reorganização
Marcos documentados, sem continuidade presumida
-
Ciclo até 2000
Na trajetória da Tecnópole, o estudo registra iniciativas distintas:
- CETIS
- Hotel Tecnológico
- SOFTEX Gênesis
-
Depois de 2000
Pesquisa do IPARDES, publicada em 2006, relata um abalo após o fim da gestão municipal de 1997–2000.
Politização do projeto e fim do apoio nacional do SOFTEX ao Gênesis.
-
A partir de 2003
Outros marcos aparecem nos registros:
- articulação regional do APL
- Núcleo de Tecnologia da Informação
Esses são diagnósticos da pesquisa de 2006, não um retrato automático da situação atual. O que eles permitem afirmar é que a trajetória teve descontinuidade e que o fim de apoio a um instrumento não encerrou toda atividade tecnológica local. O campus, o CETIS, o Hotel Tecnológico, empresas e iniciativas de incubação aparecem no mesmo registro histórico. A articulação regional do APL e, a partir de 2003, o Núcleo de Tecnologia da Informação são outros marcos documentados.
Não foi possível reconstituir, ano a ano, o destino de cada empresa do Gênesis nem a data de encerramento de cada instrumento. Por isso, não descrevemos uma “reconstrução” direta da Tecnópole. O que aparece depois são novas formas de organização e política pública, não necessariamente a continuidade jurídica ou operacional do projeto original.
Novos instrumentos, outras etapas
Em 2013, a legislação municipal instituiu o Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em 1º de julho de 2016, foi inaugurado o Parque Tecnológico. A diferença importa: o parque tornou visível uma nova camada de infraestrutura, mas formação, empresas e articulação tinham antecedentes de décadas.
Em 2022, a Lei Municipal nº 5.942 instituiu a Política, o Sistema, o Plano e o Fundo Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação. A lei trouxe instrumentos de planejamento, acompanhamento e financiamento. Em 2025, uma alteração legislativa revisou regras do fundo. A existência de uma lei é evidência de desenho institucional, mas, sem dados de execução e orçamento, não mede por si só a continuidade ou o efeito da política.
A aceleradora de startups também precisa ser descrita pelo estágio em que está. A documentação municipal consultada em setembro de 2026 registra proposta de implantação, seleção de fornecedores e análise de propostas para contratação. A própria página informa que o modelo técnico de contratação ainda estava sendo definido. Não há, no material localizado, prova de operação regular de ciclos de aceleração ou resultados de empresas atendidas. Projeto, implantação, operação e resultados são etapas diferentes.
Camadas do ecossistema
O diagrama aprovado reúne seis dimensões documentadas ou discutidas no estudo. As camadas se conectam e coexistem; não há sequência obrigatória nem causalidade linear comprovada.

- Formação e conhecimentoCurso de Processamento de Dados (1986). CEFET-PR, atual UTFPR: aulas a partir de 1993.
- Empreendedorismo e incubaçãoHotel Tecnológico, Gênesis e iniciativas de incubação em momentos e papéis distintos.
- Empresas e mercadoEmpresas e negócios locais integram a trajetória. As contagens disponíveis não são equivalentes.
- Articulação e governançaTecnópole: 1996/1997. Abalo e descontinuidade documentados após 2000.
- Políticas e instrumentosConselho de CT&I em 2013. Política, Sistema, Plano e Fundo em 2022.
- Infraestrutura e ParqueCETIS: estrutura distinta. Parque Tecnológico inaugurado em 2016.
O Parque é uma camada do ecossistema, não o ecossistema inteiro.
CETIS e Parque Tecnológico não são a mesma coisa
CETIS
- Período e contexto
- Estrutura ligada ao ciclo da Tecnópole, descrita pelo IPARDES em seu estudo de 2006.
- Natureza e função registrada
- Condomínio industrial e tecnológico. O CETIS não era o Parque inaugurado em 2016.
- Limite da comparação
- As fontes não autorizam tratar os dois nomes como equivalentes nem atribuir resultados a uma estrutura isolada.
Parque Tecnológico
- Período e contexto
- Inaugurado em 1º de julho de 2016, em marco posterior.
- Natureza e função registrada
- Infraestrutura que integra uma trajetória mais ampla de formação, empresas, incubação e articulação.
- Limite da comparação
- A inauguração não comprova, por si só, resultados econômicos nem representa o ecossistema inteiro.
Comparação editorial: estruturas distintas; não são nomes intercambiáveis nem etapas de uma causalidade comprovada.
Pato Branco em números
Os indicadores desta seção respondem perguntas diferentes: dimensão populacional, vínculos formais, produção por residente e retratos da atividade tecnológica. Cada um mantém período, unidade e fonte próprios; nenhum, isoladamente, mede o efeito do Parque.
Os números precisam permanecer em seus contextos
No estudo do IPARDES, a RAIS de 2004 identificou 15 estabelecimentos e 91 vínculos em classes de atividade de software explicitadas no relatório. O NTI, por outro lado, estimava aproximadamente 30 empresas para orientar a amostra qualitativa. Em 2006, foram entrevistadas 13 empresas em Pato Branco, dentro de uma pesquisa regional de 19 empresas. Estabelecimentos, empresas identificadas, vínculos e entrevistas não são a mesma unidade.
Em 2020, a AEN publicou uma estimativa de aproximadamente 100 empresas de tecnologia, 3 mil empregos diretos e R$ 500 milhões em faturamento projetado para o ano. Já as referências de 365 empresas, 34 startups, 4 mil empregos e 23% do PIB são reproduzidas por fontes institucionais com atribuição ao Sebrae 2022, mas a fonte original e as definições do levantamento não foram localizadas. Outros documentos municipais apresentam contagens diferentes de startups e empresas.
Esses números ficam como retratos de momentos e universos diferentes. Não formam a sequência “30, 100, 365”, e não permitem calcular uma taxa de crescimento. Também não são apresentados aqui como dados atuais. A divergência é parte da transparência do estudo, não um detalhe a esconder.
Uma comparação mais uniforme pode ser feita para emprego formal total no biênio 2023–2024. Segundo a RAIS do Ministério do Trabalho e Emprego, Pato Branco passou de 35.112 para 35.726 vínculos formais, aumento de 614, ou 1,75%. Francisco Beltrão passou de 30.830 para 31.678, aumento de 848, ou 2,75%. Erechim passou de 41.401 para 42.172, aumento de 771, ou 1,86%. No mesmo período, os serviços cresceram mais em Francisco Beltrão, enquanto a indústria avançou mais em Erechim. É um recorte curto, não uma avaliação do Parque nem uma série específica de empregos em tecnologia.
Vínculos formais totais
Vínculos formais totais: comparação responsiva de 2023 × 2024. Unidade: vínculos formais, não pessoas distintas. Trata-se de apenas um biênio; não mede emprego específico de tecnologia nem efeito do Parque.
| Município | 2023 | 2024 | Variação | Variação percentual |
|---|---|---|---|---|
| Pato Branco | 35.112 | 35.726 | +614 | +1,75% |
| Francisco Beltrão | 30.830 | 31.678 | +848 | +2,75% |
| Erechim | 41.401 | 42.172 | +771 | +1,86% |
Vínculos formais totais. A comparação não mede empregos de tecnologia nem efeito do Parque.
População censitária
Pato Branco
- 1991
- 55.675
- 2000
- 62.234
- 2010
- 72.370
- 2022
- 91.836
Francisco Beltrão
- 1991
- 61.272
- 2000
- 67.132
- 2010
- 78.943
- 2022
- 96.666
Erechim
- 1991
- 72.318
- 2000
- 90.347
- 2010
- 96.087
- 2022
- 105.705
Fonte: IBGE, Censos Demográficos. As três cidades cresceram nos períodos observados. Isso não prova impacto tecnológico; migração, estrutura etária, serviços regionais e outros fatores também moldam a trajetória.
PIB per capita
R$ 63.350,93
Pato Branco
R$ 46.814,84
Francisco Beltrão
R$ 80.385,09
Erechim
Fonte: IBGE, Cidades e Estados, valores correntes de 2023. PIB per capita mede produto municipal por residente: não representa renda individual nem isola o setor tecnológico. Os comparadores são descritivos, não um grupo de controle; o valor não mede efeito do Parque.
Três retratos de números, três universos
2004/2006 · RAIS, NTI e IPARDES
- O que foi registrado
- 15 estabelecimentos e 91 vínculos em classes de software na RAIS de 2004; cerca de 30 empresas identificadas pelo NTI para orientar uma amostra.
- Unidade e limite
- Estabelecimentos, vínculos e empresas são medidas diferentes. O estudo de 2006 entrevistou 13 empresas em Pato Branco.
2020 · AEN
- O que foi publicado
- Cerca de 100 empresas, 3 mil empregos diretos e R$ 500 milhões em faturamento projetado para 2020.
- Unidade e limite
- Empresas, empregos e projeção de faturamento. A notícia não detalha método e definições.
2022 · atribuição ao Sebrae reproduzida institucionalmente
- O que foi reproduzido
- 365 empresas, 34 startups e outras contagens divulgadas por fontes institucionais.
- Unidade e limite
- A fonte original e as definições não foram localizadas; não é comparável aos outros retratos.
Esses números não formam uma série. Não conectá-los, calcular percentuais entre eles nem apresentá-los como curva “30 → 100 → 365”.
Incubação: números que pedem definição
Uma notícia municipal de janeiro de 2026 informou o ingresso de 14 novos projetos na ITECPB e citou 15 empresas graduadas, mais de 250 empregos e faturamento próximo de R$ 50 milhões. A página institucional consultada em setembro de 2026 mostrava 20 projetos incubados, mais de 100 empreendimentos que passaram pela incubadora e 17 graduados.
As fontes não esclarecem por que o total de graduadas difere nem se empregos e faturamento se referem às empresas atuais, acumuladas, graduadas, a um ano específico ou a uma estimativa. Não usamos os 250 empregos ou R$ 50 milhões como resultados medidos. Para avaliar incubação, seria necessário acompanhar cada coorte, sobrevivência, emprego, receita e permanência no município, com períodos e denominadores explícitos.
Evidências, limites e lacunas
Evidência × Limite
- Evidência
- Cronologia institucional: curso em 1986, Tecnópole em 1996/1997, abalo posterior a 2000, Conselho em 2013, Parque em 2016 e política de CT&I em 2022.
- Ajuda a entender
- Que marcos, instrumentos e interrupções aparecem em períodos diferentes.
- Não permite concluir
- Que houve uma única continuidade institucional ou que um marco tenha causado resultados municipais.
- Evidência
- RAIS: 35.112 vínculos formais em 2023 e 35.726 em 2024, em todos os setores.
- Ajuda a entender
- A variação recente do emprego formal total no município e nos comparadores apresentados.
- Não permite concluir
- Que esses sejam empregos de tecnologia ou que a variação tenha sido causada pelo Parque.
- Evidência
- Censos: população de Pato Branco em 1991, 2000, 2010 e 2022.
- Ajuda a entender
- A dimensão populacional medida nos anos censitários.
- Não permite concluir
- Que a mudança populacional seja efeito da política de inovação.
- Evidência
- IBGE: PIB per capita corrente de 2023.
- Ajuda a entender
- O produto municipal dividido pela população de referência.
- Não permite concluir
- Renda individual, participação específica de tecnologia ou impacto de uma estrutura.
- Evidência
- Contagens de empresas e iniciativas publicadas em períodos e fontes diferentes.
- Ajuda a entender
- Quais retratos foram divulgados e que universos cada fonte descreve.
- Não permite concluir
- Uma série comparável “30 → 100 → 365”, taxa de crescimento ou uma contagem atual harmonizada.
- Evidência
- Leis, registros institucionais e documentos sobre iniciativas.
- Ajuda a entender
- Criação formal, desenho previsto e estágio informado em cada registro.
- Não permite concluir
- Execução, continuidade, orçamento aplicado ou resultados sem dados correspondentes.
Limites dos dados: anos, conceitos, unidades e métodos variam entre as fontes. As contagens de empresas não formam uma série comparável e os indicadores municipais não isolam o efeito do Parque.
Metodologia
Este estudo organiza fontes públicas institucionais, estudos e estatísticas municipais e regionais. Mantém cada indicador no período e na unidade publicada pela fonte; a comparação de emprego formal usa vínculos totais da RAIS e os retratos de empresas permanecem separados quando as definições não são equivalentes. Os municípios comparadores são descritivos. Não foi realizada pesquisa primária nem avaliação contrafactual ou causal do Parque.
Limitações
Os registros disponíveis não permitem reconstruir ano a ano a continuidade de cada iniciativa nem harmonizar as contagens setoriais de empresas. A RAIS apresentada é municipal e cobre vínculos formais de todos os setores; os dados de população e PIB per capita não isolam a atividade tecnológica. Também faltam séries locais comparáveis de sobrevivência, retenção de talentos, exportação de software, patentes, salários por setor e investimento privado atribuível. A evidência documenta marcos, rupturas e medidas, mas não atribui resultados municipais a uma intervenção específica.
O que outro município pode adaptar
O que não copiar
- Não começar pelo prédio.Parque não substitui formação, empresas, articulação, demanda e governança.
- Não copiar a vocação de outra cidade.As capacidades e atividades econômicas podem ser diferentes em cada município.
- Não depender de uma única gestão.O caso registra abalo e descontinuidade no ambiente político e institucional.
- Não confundir inauguração com resultado.Infraestrutura é instrumento; não é indicador automático de desenvolvimento.
- Não misturar unidades.Empresa, estabelecimento, startup, incubada, graduada e vínculo formal são medidas diferentes.
- Não medir sucesso somente por quantidade.Quando os dados permitirem, observe sobrevivência, empregos, salários, faturamento, acesso e continuidade.
O primeiro passo não precisa ser construir um parque. É entender capacidades e gargalos locais: formação disponível, empresas que poderiam contratar ou orientar, instituições dispostas a cooperar e necessidades de mercado, prototipagem, crédito, gestão ou qualificação. As respostas ajudam a escolher instrumentos proporcionais ao contexto.
Ferramentas para adaptar o aprendizado
As ferramentas a seguir são aplicações didáticas derivadas do caso. Elas oferecem perguntas para reflexão e não descrevem decisões históricas de Pato Branco nem constituem um plano de implantação.
SWOT — uma leitura estratégica do caso Pato Branco
Leitura didática derivada do caso. Esta não é uma SWOT oficial de Pato Branco. Os quadrantes organizam elementos e riscos descritos na matéria para apoiar a análise de outra realidade.
Forças
- Formação tecnológica documentada.
- Empresas, instituições de ensino e ambientes de inovação presentes em diferentes momentos.
- Capacidades acumuladas antes da inauguração do Parque.
Fragilidades
- Interrupções e mudanças de arranjo documentadas em parte da trajetória.
- Lacunas para acompanhar a continuidade de cada iniciativa e seus resultados ao longo do tempo.
Oportunidades
- Fortalecer a integração entre formação, empresas e instituições.
- Adaptar instrumentos ao gargalo e às capacidades locais.
- Definir medidas comparáveis de acesso, continuidade e resultados.
Ameaças e riscos
- Copiar infraestrutura sem base institucional e econômica.
- Confundir instrumento, atividade e resultado.
- Depender excessivamente de uma única gestão.
- Interpretar correlação ou ordem temporal como causalidade.
5W2H — transformando o aprendizado em perguntas para sua cidade
- What · O quê?
- O que queremos construir ou fortalecer?
- Why · Por quê?
- Por que isso importa para a realidade local?
- Who · Quem?
- Quem precisa participar e quem pode ser afetado?
- Where · Onde?
- Onde a iniciativa se conecta ao território e às instituições?
- When · Quando?
- Em que momento isso faz sentido diante das capacidades existentes?
- How · Como?
- Como começar de forma compatível com a demanda e os recursos locais?
- How much · Quanto?
- Que recursos, esforço e estrutura precisam ser considerados?
Perguntas para orientar a análise. Não são um plano preenchido, orçamento ou cronograma.
PDCA — aprender sem copiar
- Plan · Planejar
Compreender capacidades, problemas e atores locais.
- Do · Fazer
Testar iniciativas adequadas ao contexto e à capacidade de execução.
- Check · Verificar
Observar resultados, limites, acesso e efeitos não previstos.
- Act · Ajustar
Ajustar, ampliar, substituir ou encerrar com base no que foi observado.
Ciclo de reflexão; sua aplicação não garante que outra cidade obtenha os mesmos resultados de Pato Branco.
O que observar na sua cidade
Antes de pensar em um Parque Tecnológico, observe as capacidades, conexões e necessidades locais. Estas perguntas também são uma aplicação didática derivada do caso.
Pessoas e formação
Que conhecimentos, competências e instituições de ensino existem?
Empresas e economia local
Que atividades econômicas já têm presença e relações no território?
Instituições
Quem pode contribuir com conhecimento, parceria e capacidade de articulação?
Ambientes de conexão
Há incubadoras, associações, laboratórios, universidades, hubs ou outros espaços?
Governança e continuidade
As relações dependem de uma pessoa ou contam com acordos e estrutura institucional?
Infraestrutura
Que estrutura é realmente necessária, para quem e em que momento?
Um caminho macro para começar
As oito etapas abaixo sintetizam aprendizados para adaptação local. São uma orientação pública em nível macro, não um manual, plano operacional nem receita para reproduzir Pato Branco.
Como implementar no município
Mapear o ponto de partida.
Identificar capacidades, iniciativas, instituições e evidências já existentes antes de escolher novos instrumentos.
Ouvir quem participa e quem está fora.
Compreender barreiras, oportunidades e grupos que ainda não acessam as iniciativas existentes.
Escolher um gargalo concreto.
Definir o problema prioritário antes de decidir qual instrumento, programa ou estrutura criar.
Conectar parceiros com responsabilidades.
Organizar a cooperação entre instituições com funções e compromissos claros.
Começar com o instrumento proporcional.
Escolher uma resposta compatível com a demanda e a capacidade local, sem assumir que infraestrutura física seja sempre o primeiro passo.
Planejar continuidade e transparência.
Considerar recursos, governança e condições de continuidade desde o início.
Medir acesso e resultados.
Acompanhar participação, resultados e limites usando períodos, definições e indicadores explícitos.
Rever o que não funcionou.
Reavaliar instrumentos, registrar interrupções e incorporar aprendizados às decisões seguintes.
O que permanece em aberto
O caso mostra que formação, empresas, incubação, articulação e política pública apareceram, em diferentes períodos, como partes de um mesmo ambiente local de inovação. Também documenta que apoios e estruturas podem perder força ou mudar de forma. Essa coexistência histórica não prova uma única continuidade institucional nem uma relação causal entre esses elementos.
Como interpretação para outros municípios, o caso recomenda diagnosticar capacidades e gargalos locais antes de escolher estruturas, garantir governança e continuidade entre gestões, e acompanhar resultados com definições e períodos explícitos. É uma orientação para adaptação, não uma receita nem a promessa de que os mesmos instrumentos produzirão os mesmos efeitos.
Antes de copiar uma estrutura, cada cidade pode responder: o que já existe, qual conexão falta, quem sustentará o trabalho e como saberemos se os resultados chegaram às pessoas e empresas que deveriam se beneficiar?
Fontes e referências
- IPARDES, estudo do APL de software do Sudoeste, 2006
- UTFPR, história do Campus Pato Branco
- Colferai, políticas públicas de inovação e incubação em Pato Branco, 1997–2022
- UTFPR, notícia que reproduz números atribuídos ao Sebrae 2022
- AEN Paraná, retrato tecnológico publicado em 2020
- MTE, RAIS 2024 e tabelas municipais 2023–2024
- IBGE SIDRA, população censitária, Tabela 202 e Tabela 4709
- IBGE, Pato Branco, Francisco Beltrão e Erechim
- Lei Municipal nº 5.942/2022 e Lei nº 6.439/2025
- Lei Ordinária nº 4.203/2013, que institui o Conselho Municipal de CT&I
- MCTI, Parques Tecnológicos do Brasil, registro do Parque de Pato Branco
- Aceleradora municipal, estágio publicado
- ITECPB e notícia municipal de janeiro de 2026
- Documento administrativo municipal de 2023 sobre aceleração de incubadas
- Relatório municipal de planejamento urbano, análise temática integrada, 2023
- Foto da Praça Presidente Vargas: Rodinei Santos / Departamento de Imprensa da Prefeitura de Pato Branco, conforme identificação da publicação Cidade e Cultura. O acervo fotográfico oficial do Município autoriza o uso comunitário com crédito ao autor e à origem.
- Foto documental da formação, Campus Pato Branco UTFPR, UTFPR em Imagens, 29 ago. 2013, CC BY 2.0. A fotografia representa o campus, não o Parque Tecnológico.
Transparência editorial
Os conteúdos do Cidade que Gera Oportunidades são desenvolvidos sob responsabilidade editorial do autor, com pesquisa em fontes verificáveis, análise, organização e revisão humana. Ferramentas de Inteligência Artificial podem ser utilizadas como apoio à pesquisa, estruturação, revisão linguística, síntese e apresentação do conteúdo, sem substituir a análise crítica, a conferência das fontes ou a responsabilidade pelo material publicado.
Este estudo é uma síntese documental, não uma avaliação causal independente. As fontes e referências são estudos e estatísticas institucionais. Os dados têm anos, unidades e limites indicados; as contagens não harmonizadas são apresentadas como retratos, sem série de crescimento. Ferramentas de inteligência artificial foram usadas como apoio à organização, revisão e preparação visual; a conferência das fontes, a análise crítica humana e a responsabilidade editorial permanecem humanas. A fotografia da capa mostra a Praça Presidente Vargas. O crédito atribuído é Rodinei Santos / Departamento de Imprensa da Prefeitura de Pato Branco; o acervo municipal orienta que autor e origem sejam mencionados para o uso comunitário. A imagem escolhida foi mantida sem sobreposição tipográfica, regeneração ou substituição de elementos fotográficos; a composição da página altera apenas seu tamanho de exibição.
